domingo, 19 de janeiro de 2014

"O Milagre de Anne Sullivan"

O longa-metragem “O Milagre de Anne Sullivan” tem como título original “Miracle Worker”. Gravado nos Estados Unidos, na década de 60, é baseado em história real. O começo do filme já é surpreendente, pois a mãe de Hellen Keller (Patty Duke) constata que a filha, ainda uma criança de colo, não enxerga nem ouve devido a uma doença chamada escarlatina, provocada por uma bactéria. Anne Sullivan (Anne Bancroft) interpreta brilhantemente a professora que tenta fazer com que Hellen consiga se comunicar consigo e com o mundo que a cerca, pois, desde pequena, a menina foi tratada com mimos exagerados dos pais. Eles não a ensinaram a se comunicar, mas só a superprotegeram, como se ela fosse incapaz. Com isso, a menina se tornou altamente agressiva e cheia de vontades, era vista como um animal selvagem. Este longa foi o segundo de Arthur Penn. Um drama clássico e imperdível. Ele mesmo foi indicado ao Oscar, mas as ganhadoras foram Anne Bancroft (ganhadora do BAFTA) como melhor atriz e Patty Duke como coadjuvante. A cena mais impactante foi a que Anne tenta ensinar a pupila a comer como uma pessoa “civilizada”, utilizando-se de garfo, em vez das próprias mãos; sentada à mesa e fazendo o uso correto do guardanapo. O duelo é travado durante quase dez minutos em uma cena que leva as atrizes a um esforço especial. A professora parece ser bastante rígida, mas com insistência ela consegue, por métodos não tradicionais, ser “ouvida” pela garota. A linguagem dos surdos é apresentada como uma ótima alternativa de ponte comunicativa. Isso repercutiu positivamente, principalmente, nos Estados Unidos, incentivando muitos pais a procurarem ajuda para os filhos deficientes. A própria Hellen, tornou-se uma ativista dos direitos dos portadores de necessidades especiais. Recomendadíssimo! Segue o trailer da cena principal do filme: http://www.youtube.com/watch?v=EHwoRFe70jk

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Utopia do amor

Onde o romantismo mora? As relações hodiernas encontram-se meio que liquidificadas, em uma receita fácil que se der certo leva-se ao forno ou, do contrário, vai direto para o ralo. Ficar, pegar, dentre outros são os verbos da moda. A primeira coisa que associo a eles é como se o ser humano fosse algo descartável, um verdadeiro objeto de satisfação.

 Nos tempos da minha avó o namoro começava apenas com trocas de olhares. O beijar dos lábios era quase um pedido de casamento. O processo era lento, mas, uma vez verdadeiro, seria eterno. Acho que nasci nessa época e fui reencarnada atualmente, pois é a única explicação para meu modo "anti-moderno" (como dizem) de pensar. Dizer que eu sou do tempo das cavernas é até um elogio, visto que meu romantismo permanece o mesmo dos séculos passados e não há nada de mais valioso e lindo que um amor à moda antiga, uma serenata de frente ao quarto da amada, favor não confundir com as terríveis e cafonas loucuras de amor e um "Eu te amo" sincero ao pé do ouvido.

Nada de amores possessivos, o egocentrismo, pois o amor tem que ser libertador e respeitoso. Pode até propor mudanças no amado,se for para o bem dele, como se fosse uma casa que se mudasse a pintura ou a disposição dos móveis, mas a estrutura em si deverá permanecer. A essência deve ser a mesma. O outro vem para agregar valores sempre! Os amigos, a família e os o passado sempre virão no pacote. Jamais tente dissociá-lo, essa é a história incorporada, o legado.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Qual a experiência no assunto?

Quando cheguei à minha casa a empregada logo me entregou o jantar: aquele imenso prato fundo se sopa que Mafaldinha iria adorar! Ao mesmo tempo, eu inspecionava as numerosas notícias por segundo que eram anunciadas na página principal de uma rede social. Do nada, larguei o prato de sopa e fui ao encontro da minha mãe para anunciar o tema da minha monografia: tinha decidido observar a linguagem utilizada em propagandas de motéis. A pobre mulher ficou de todas as cores olhando fixamente para mim sem ainda acreditar no que a filha tinha acabado de dizer. Chegou a gaguejar e chamou tudo de loucura, que eu deveria logo explicar o porquê da minha escolha em falar do local "proibido". Era uma vergonha (século XXI, vejam bem) uma mulher abordar tal assunto, disse isso em um tom repreensivo. Contra argumentando, disse que não iria descrever o ato em si, apenas a linguagem! Explicando também disse que conhecia um renomado professor que é pesquisador de anúncios pornográficos de jornais. Isso me encantou desde o princípio na faculdade. Notei que o acréscimo de informação não fez a menor diferença. Minha mãe disse logo que o mundo estava mesmo perdido e que me achava com juízo até a tal proposta. Ameaçou-me não ir a minha tão sonhada festa de formatura e nem ofertar mais a viagem às ilhas caribenhas tão programadas e milimetricamente calculadas financeiramente durante todo o curso. Fazer o quê? A liberdade de expressão pode custar caro, mas proporciona certas emoções impagáveis. Desde a adolescência, com o tal do namoro em casa, gostava de, entre uns beijos e outros, ouvir rádios românticas. O que mais me empolgava não eram as músicas em si, mas as propagandas, principalmente a dos motéis. A maneira de falar do anunciante, seja homem ou mulher, é reveladora- um tom misterioso, sexy que fertiliza a imaginação do ouvinte. Claro que ficava enrubescida diante do amante, porém tudo era encantador. Na hora da propaganda nem o melhor beijo valia a pena- que me desculpe o "love". Ele tinha até ciúmes do rádio e propunha trazer músicas ao gosto dele para serem tocadas como trilha sonora daquela paixão. Mal sabia ele que o encantamento mor era propagandístico, que ele ficava, no momento, em segundo plano. Sentia remorso daquele homão carente implorando atenção, mas a arte da conquista anunciada era mais impactante. Com o término do namoro fiquei com certa abstinência daquela programação noturna, pois, como um luto fechado, abandonei o rádio por longos novos meses. Foi o tempo de uma gestação, necessário para cambiar um pouco a rotina e ouvir a interminável e contínua sequência de músicas do mp4, tempo que as vozes instigantes calaram-se. Foi doloroso, pois a aproximação do rádio me fazia lembrar das brigas entre nós. Depois do período, em um sábado solitário, uma atração maior me fez sintonizar o rádio bem no momento do intervalo. Para a satisfação do meu ego uma voz máscula anunciava um pernoitão promocional de um luxuoso motel em área nobre da grande Fortaleza. Isso veio como uma luva em um dilema de temas para findar cinco anos de faculdade. Na rede social, no momento da sopa, vi a propaganda do famoso motel o que me fez ter a ideia inicial para o projeto. Um ano depois, meu trabalho ganhou nota máxima e a banca me sugeriu logo entrar no mestrado. Minha mãe não foi à formatura por princípios religiosos, não ganhei a viagem, mas fiquei muito feliz e ainda voltei com o ex. Este fofo ainda me deu de presente um lindo rádio para me inspirar. Tenho que confessar que jamais esquecerei esse lindo ato de amor, meu bem. Agora rimos juntos toda vez que o intervalo se aproxima. É um amor publicitário, criativo e eterno. Nossa festa de casamento será no motel do pernoitão. Advinha quem não comparecerá?! Antes teremos a celebração religiosa para não desagradar a minoria querida.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Súplica da vida curta

Não, definitivamente, não queria morrer com muita idade! Já suportei fardos muito pesados em tão pouco tempo de passagem pela Terra. Felicidade por longos períodos que deveria morrer, não a conheço! Acho que deveria morrer aos 35, idade suficiente para realizar os últimos desejos. Filhos? Não, muito obrigada, não os quero! Para que irei deixar vestígios familiares de uma vida tão pesada? Esse legado não está nos meus planos. Nem mesmo um pequeno cachorrinho é digno da minha sina. Penso que por volta dos 30 (pelo menos tenho esperança) seja o auge da vida, por isso quero partir por aí, pois sempre devemos sair da festa nos melhores momentos para ficarmos com as boas recordações. Fico amedrontada só em pensar em ter que depender de ajuda humana para viver, de as dores da idade serem tão fortes que me incapacitem de ter uma vida independente, de presenciar a morte de ente queridos e de perder a memória. Não quero esperar pelo famoso brilho da mulher de 40. Confesso que o Amor carnal é uma forte insegurança que tenho, mas, antes de partir, quero apreciar um amor verdadeiro e eterno em poucos meses, para que a relação seja eternizada na memória dele. Nada de badalações, beijos explícitos e loucuras de amor, tem que ser algo nosso. Tempo curto para que eu não venha a conhecer a traição, coisa que não suportaria, seria como um veneno instantâneo. Desejo, depois que eu me for, que ele encontre um novo amor que seja bom, nem que seja no fim do mundo, para que eu fique apenas como uma memória do passado. Senhor, Pai da verdadeira misericórdia, ouça as minhas preces e não deixe a sua filha abandonada ao fado terreno. Não peço, contudo, que retire uma parte da minha cruz, mas que deixe-a afixada, se tiver um pouquinho de merecimento, nas cercanias do seu viver eterno. Também não me deixe ser um espírito que sai sem rumo, pois quero descansar eternamente.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Morre uma mente célebre.

Ao verificar minha caixa de e-mails um em especial prendeu minha atenção. O marcador mostrava que ele foi enviado por volta das 16h00, porém só cliquei na caixa de entrada às 17h48. Lembro com detalhes, visto que a “manchete” do e-mail foi algo marcante. Pensei até que fosse vírus, quem dera!
Um amigo muito devoto da Língua Portuguesa me enviou esse e-mail que anunciava a morte do ilustríssimo professor Itamar Filgueiras. Não o conhecia pessoalmente, mas nutria uma grande admiração pelos conhecimentos que ele compartilhava, diariamente, com milhares de estudantes. Inclusive muitas de minhas amigas falavam maravilhas das aulas dele.
A Academia Cearense de Letras hoje amanhece de luto por mais uma perda de um imortal. O maestro deixou vaga a cadeira de número cinco. O difícil, melhor dizendo impossível, será encontrar um sucessor à altura.
Comovi-me bastante, pois ele era um colega de ofício. Dedicava-se à árdua tarefa do magistério que, no Brasil, exige uma dedicação intensa por salários não muito atraentes. Só espero, sinceramente, que a ACL não desrespeite a memória do intelectual colocando uma “estrela” para ocupar o assento.
Transmito o sentimento da população que hoje duplamente vivencia o luto de dois mestres: o do Supremo e o do dedicado professor. Agradecemos pelos quase 50 anos de transmissão de conhecimentos. Hoje, nesta sexta-feira da paixão, sinto um grande arrependimento de não ter sido discente direta deste grande docente, pois tinha em mente, em um futuro próximo, embeber-me um pouco desta fonte de cultura. Infelizmente isso não foi possível. Meus sentimentos à família e amigos deste cearense.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Agonia nossa de todo discente.

Caros colegas de sofrimento, vai se aproximando o período de maior tensão, quando todos ficam mais susceptíveis ao choro, à briga com o namorado e ao humor oscilante: eis o período de pilhagem de testes. Parece até que os professores de todas as disciplinas combinam datas e horas bem próximas para a aplicação- que dizem os especialistas que não mede conhecimento, mas; por outro lado, que não deixa de existir- do que aprendeu ao longo do trimestre.
Os maestros passam, atropeladamente, textos e mais textos para serem lidos em tempo recorde e ainda indicam folhas e folhas de livros de leitura complementar, mas um tanto obrigatória. Justificação: para a maior familiarização conteudística. Para isso, temos que virar malabaristas de livros, pegando um e soltando outro, sem deixar a peteca cair.
Minha ânsia me consome, pois já leio uma linha contabilizando, pormenorizadamente, quanto tempo foi despendido e, na próxima, já tento otimizar o tempo restante. Submetida a longos períodos de estudo, torno-me uma dislexa temporária, visto que as letras começam a dançar um autêntico tango argentino.
As noites de sono são milimetricamente programadas e, a cada dia da aproximação do tal momento, essas noites vão ficando mais extensas para o estudo e curtíssimas para a recuperação mental. Devemos estar conectados praticamente 24 horas. Drogas alternativas, como o café e o chocolate já não fazem efeito devido ao consumo elevado para se manter como o lema dos escoteiros: sempre alerta.
O corpo não tem direito de se cansar, pois para isso que servem os analgésicos. O cansaço e a fadiga mental imperam. As associações se tornam lentas e os professores, cada vez mais cruéis, como se cada matéria fosse a única a ser estudada- uma verdadeira dedicação exclusiva não assalariada.
Cada parágrafo se torna um aglomerado de letras conectadas com uma lógica vigente, mas parecem ser infindáveis. A cada página virada contasse quanto falta até o final. Dá um desespero quando ainda tarda a chegar à derradeira linha.
No fim de semana o estudante tem folga? Não! Pelo contrário, transforma-se em um verdadeiro bibliófago para suprir os "buracos" deixados na semana. O acúmulo de textos é o verdadeiro cúmulo, pois não se pode ir com calma a cada linha, mas deve-se ler e entender tudo com uma agilidade fenomenal.
Nem adianta ficar alegre com a Semana Santa, pois o volume de tarefas e de trabalhos só aumenta. Os orientadores, a meu ver, odeiam feriado, pois não nos deixa respirar. Preciso um pouco do idílico fugere urbem para revigorar os pulmões e controlar os níveis de ansiedade citadinos.

domingo, 1 de abril de 2012

Imortal, imortal só se for do futebol.

Semana passada estava radiante de felicidade. Fui para a aula de literatura como quem vai para o paraíso. Estava inatingível, pensava eu. No meio da aula, veio uma desastrosa notícia que fez os alunos tremerem, o ventilador parar, as luzes piscarem e o Machado de Assis se revoltar nas profundezas do solo, segundo o professor Pelogio: O Ronaldinho Gaúcho é um IMORTAL, isso mesmo, da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Atenção! Hoje é dia da mentira, desde zero hora, mas esta notícia é a mais pura verdade, para a infelicidade de uma boa fração da sociedade. Esta notícia já está quase completando um ano. Devemos comemorar? Cruuuzes! Os mais fanáticos torcedores poderão até comemorar num ímpeto de felicidade pelo ídolo, mas não pela notícia em si, pelo menos não se levarmos em conta a racionalidade.
A ABL realmente entrou em decadência, perdeu a credibilidade. Por que ela não elegeu a Presidenta que é uma mulher culta? Por que não uma Tércia Montenegro (escritora, fotógrafa e professora da UFC) que já nasceu culta, pois em seu DNA existem muitos vestígios do mundo das letras.
Para mim, com essa, que soube há pouco, ABL deveria fechar (ops...meu ímpeto de raiva). Acredito que, neste ano, o novo imortal eleito por unanimidade para presidente da academia será o outro futebolista Neimar. Espera só para ver... Se não tiver cadeira disponível eles colocam. Não se preocupe. Ah... ia me esquecendo do Michel Teló. Ele já fez até música para ocupar o trono: "ai se eu te pego..."
O "mundo" das letras (sei que é uma expressão clichê, mas me perdoem), o do tão importante conhecimento, passou a ser o "mundo" do interesse. Título vai, dinheiro vem (uma mão lava outra). Esta notícia, há uma semana, me deixou com uma insônia magnífica. Tive pesadelos diários.
Em alguns vídeos na Internet, comentaristas dizem que ele é o mestre da ginga, portanto (conclusiva sem nexo a meu ver), é merecedor do título. Grande contribuição para as letras!!! Acho que esta história já me deixou sem a noção de tempo e de espaço. Ele entender de futebol é fato, mas do universo dos livros... tenha santa paciência! Vai perguntar, caro leitor(a), quantos e quais livros ele já leu neste ano. Aposto que ele só "leu" (seria melhor o emprego do verbo ver, conferir ou apreciar) revistas masculinas...